Primeira moto: a ordem certa de gastar
A conta que quase ninguém faz: o equipamento é parte do preço da moto, não um extra pro mês seguinte.
Separa uma parte do orçamento antes de escolher a moto
O erro mais caro da primeira moto não é a cilindrada. É gastar o último centavo na moto e sair da loja com um capacete de promoção e mais nada. Aí o equipamento vira mês que vem, e mês que vem costuma ser quando acontece o primeiro susto.
O que eu faço: separo o valor do kit mínimo antes de fechar a compra da moto. Se isso significa uma moto um pouco mais simples, é uma troca boa. Moto usada com equipamento bom é melhor que moto nova sem equipamento.
Antes de sair rodando
Esses são os itens que deveriam sair da loja junto com a moto. Não é lista de sonho: é o que separa um tombo de um problema sério.
- Capacete com o selo novo do Inmetro
- Do tamanho certo, medido com fita métrica. Dá uma olhada no texto sobre capacete: é onde mais gente erra.
- Luva
- Qualquer trajeto, inclusive o de dois quarteirões. A mão encosta primeiro no chão.
- Capa de chuva
- A primeira chuva não avisa. E voltar encharcado é como se aprende a odiar a moto.
No primeiro mês
Com a moto rodando e você já entendendo o próprio uso, vem o resto. Aqui dá pra gastar melhor, porque agora você sabe se pega chuva, se anda de noite, se carrega coisa.
- Jaqueta com proteção
- De verão, com tela. A pesada fica no armário, eu tenho uma pra provar.
- Antifurto
- Trava de disco com alarme resolve o furto de oportunidade, que é a maioria. Se a moto dorme na rua, pensa em corrente e rastreador.
- Slider
- Em esportiva com carenagem, é o acessório de melhor retorno que existe. Tombo parado no semáforo acontece com todo mundo, e a conta sem slider é carenagem, manete e tampa de motor.
- Suporte de celular
- Se você usa navegação. Olha a fixação: suporte ruim é como o celular vai pro chão a 60 por hora.
O que é só vontade (e tudo bem)
Intercomunicador, câmera, escapamento, LED, adesivo, protetor de motor cromado. Nada disso é errado, é o que faz a moto ser sua. Só não deveria vir antes da luva.
Com uma exceção: intercomunicador deixa de ser vontade e vira segurança pra quem faz estrada em grupo ou usa navegação por voz o dia inteiro. Mexer no celular no semáforo pra conferir a rota é pior do que parece.
A manutenção que ninguém te ensina na loja
Três coisas, e as três são de graça ou quase. Calibra o pneu a cada duas semanas, porque moto perde pressão mais rápido que carro e a diferença aparece na freada. Olha a corrente: folga na medida do manual e lubrificação a cada 500 km, ou depois de pegar chuva forte. E confere a luz do freio, que queima sem avisar e você não tem como perceber rodando.
Um calibrador digital de bolso e um spray de lubrificante custam pouco e são o que mais prolonga a vida da moto. É o dinheiro com melhor retorno da lista inteira.